Esse é o meu primeiro post sobre a África do Sul e eu começo dizendo que valeu muito a pena ter escolhido o país como destino para as minhas férias deste ano. Eu não me imaginava viajando para o continente africano tão cedo e pensava que se um dia fosse, o destino provavelmente seria o Egito por causa das pirâmides. Mas este ano as férias foram mais curtas, então tive que escolher um destino mais rápido, numa viagem de 10 dias. Enquanto pesquisava sobre países da América Latina, lembrei-me que algumas pessoas já haviam me falado bem da África do Sul. Resolvi pesquisar mais sobre o lugar e gostei de tudo o que vi. As passagens estavam com um bom preço e as recomendações eram todas muito positivas. Um amigo topou ir comigo e decidimos emitir as passagens a menos de um mês da viagem!

Foi tudo muito rápido, só tive três semanas para preparar o roteiro da viagem, pesquisando em sites, blogs e conversando com quem já viajou para lá. Agora que voltei notei que consegui ver muito mais que havia programado e posso dizer que a viagem superou todas as minhas expectativas, pois foi  bem diferente de todas que eu havia feito até então, num estilo mais animais, natureza e montanhas, ao contrário das cidades europeias que conheço, cujas atrações principais são museus, palácios e monumentos. Muita gente achou estranho eu escolher a África como destino, com tantos locais bonitos e mais conhecidos que poderia ter escolhido. Mas depois que viram as fotos, viram como valeu a pena.

Nesse post vou fazer um panorama geral da viagem, com informações gerais sobre o país e sobre as cidades visitadas: Joanesburgo, onde passamos três dias; e Cidade do Cabo, na qual ficamos seis dias. A partir do próximo, vou começar a detalhar a viagem dia por dia, com muitas fotos, alguns vídeos, minhas opiniões sobre os lugares e também sugerir um roteiro de cada cidade, para ajudar aqueles que pensam em viajar ou já estão de viagem marcada para lá.

Bandeira da África do Sul

 

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África do Sul

Situada no extremo sul do continente africano e banhado por dois oceanos, Atlântico e Índico, a África do Sul tem uma população de quase 50 milhões de habitantes, dos quais 79% correspondem aos negros; 9% de brancos descendentes de holandeses e ingleses (que colonizaram e exploraram o país); 9% de mestiços resultados da miscigenação de africanos, europeus e asiáticos; e 3% de outras etnias, principalmente indianos e árabes. É uma verdadeira mistura de raças, facilmente percebida por onde quer que se ande.

A economia do país é voltada principalmente à prestação de serviços, indústria, como a produção de automóveis, metalurgia e petroquímica, e setores primários, como extrativismo mineral e agropecuária. O solo africano é rico numa grande quantidade de minérios, como carvão mineral, ferro, cobre, platina, diamante, ouro, entre outros. Nos arredores de Joanesburgo é fácil encontrar diversas jazidas em operação. A agricultura do país é muito forte, fazendo com que o país seja um dos maiores exportadores de fruta do mundo. O turismo também é uma grande fonte de renda e tem se desenvolvido cada vez mais, principalmente após a Copa do Mundo de 2010, realizada no país. Além do turismo urbano, os safáris possuem grande destaque, já que a África do Sul é berço dos maiores mamíferos do mundo.

Centro de Joanesburgo

 

A África do Sul tem um fuso horário que está cinco horas à frente em relação ao Brasil e a voltagem é de 220V. O clima é no geral temperado, com estações bem definidas, muito semelhante ao sul do Brasil, por ambos estar a uma distância parecida da Linha do Equador. Joanesburgo está a mais de mil metros de altitude e possui um clima muito seco durante todo o ano. O verão é extremamente quente, enquanto o inverno possui noites bem geladas e dias quentes, com grandes oscilações de temperatura no mesmo dia. Já a península do Cabo, onde encontra-se a Cidade do Cabo, possui verões quentes com temperaturas próximas de 30 graus, invernos frios e sofre da ação do vento o ano inteiro. Fui no final de agosto e peguei alguns momentos de ventania muito forte, principalmente em Cape Point, onde os ventos chegaram a 50 km/h, jogando a sensação térmica lá para baixo.

A maneira mais rápida de se chegar à África do Sul é através de voos diretos entre São Paulo e Joanesburgo, operados pela companhia South African Airways. Não é necessário visto para entrar no país, porém é obrigatório apresentar um Certificado Internacional de Vacinação contra a febre amarela, emitido pela ANVISA, a partir da carteirinha de vacinação emitida pelo hospital, clínica ou posto de saúde. Esse certificado é muito importante, sendo exigido em São Paulo no momento do check-in. Sem ele, a viagem não é permitida. E a vacina deve ter sido tomada pelo menos a dez dias antes da viagem. A região leste do país, na qual se inclui o safári Kruger Park é uma zona de malária. Uma simples picada do inseto é o suficiente para transmitir a doença, por isso é muito aconselhável o uso de repelentes e também de remédios contra a doença. Quem vai visitar Joanesburgo e Cidade do Cabo pode ficar tranquilo, pois ambas as cidades estão fora da zona da malária.

Aeroporto de Joanesburgo

 

Para quem vai alugar um carro, é obrigatório fazer a carteira de habilitação internacional emitida pelo DETRAN, conhecida como PID (Permissão Internacional para Dirigir). Aqui em Florianópolis custou R$50,60 e ficou pronta em uma semana. A nossa carteira de motorista simples não é válida na África por não conter nenhuma informação escrita em inglês. Quando fui pegar o carro que havia alugado na cidade do cabo, essa carteira de motorista internacional foi a primeira coisa a ser solicitada, juntamente com o passaporte.

Vale lembrar que lá a direção é na mão-inglesa, ou seja, as vias são no sentido oposto ao do Brasil e o assento do motorista é no lugar do nosso assento de passgeiro, do lado direito do veículo. No começo é muito estranho e dá um certo medo de encarar, mas é facil de pegar o jeito e entender como funciona o trânsito. As estradas no geral são muito boas, principalmente as rodovias, que possuem várias faixas e um bom asfalto.

Dirigindo em direção a Cidade do Cabo

 

A moeda local é o Rand, que corresponde a aproximadamente 4 reais ou 7 dólares. As notas de rand são de 10, 20, 50, 100 e 200 rands, enquanto as moedas são de 5, 2 e 1 rands, além de 50, 20, 10 e 5 centavos de rand. A nossa moeda é muito valorizada em relação ao rand. Um real equivale a aproximadamente 4 rands. Nas casas de câmbio é muito difícil trocar a nossa moeda diretamente por rands. O mais aconselhável é levar dólares ou euros aqui do Brasil e troca-los lá pela moeda local, ou então sacar o dinheiro nos caixas automáticos diretamente da sua conta. Eu optei por levar uma boa quantia em dólares e lá eu os troquei por rands. Mesmo que você prefira utilizar o cartão de crédito em suas transações, é bom levar uma certa quantia em dinheiro para pagar gastos como táxi e pequenas compras.

A melhor casa de câmbio que eu encontrei foi a da American Express no aeroporto de Joanesburgo, na saída do desembarque internacional, ao lado esquerdo da porta de acesso ao saguão principal do aeroporto. No dia que eu cheguei a cotação estava de 1 dólar = 7,0299 rands. Descontando as taxas administrativas aplicadas, que foram de 79 rands, a cotação real desta troca ficou em 1 dólar = 6,8696 rands. Como eu havia comprado dólar no Brasil por R$ 1,66, fiz o cálculo e descobri que 1 real = 4,13 rands. Então durante toda a viagem utilizei este valor para saber o preço real das coisas na nossa moeda.

Na Cidado do Cabo encontrei a melhor cotação numa casa de câmbio localizada dentro do shopping Victoria Wharf, junto ao V&A Waterfront. Não me lembro o nome da casa, mas era um quiosque localizado no meio do maior corredor do shopping, em frente a uma loja de produtos de aventura/camping. Lá a cotação estava muito mais baixa do que em Joanesburgo. O melhor preço que peguei foi de 1 dólar = 6,86 rands. Mas lá as taxas eram muito maiores e no final 1 dólar acabou se transformando em 6,45 rands. Independente do valor, haverá sempre uma mesma taxa administrativa de 68,54 rands, além de uma comissão proporcional ao valor a ser trocado. Por isso sugiro trocar uma grande quantia de uma vez só, ao invés de ir trocando aos poucos.

Região central da Cidade do Cabo

 

Nos restaurantes e cafés a taxa de serviço não está incluída na conta final e os recibos possuem um campo em branco onde você deve escrever a caneta o valor que irá pagar pelo serviço. Como no Brasil, o costume é deixar pelo menos 10% do valor pago. Nas ruas há muitos flanelinhas querendo cuidar do carro, caso você não estacione num local privado. Por isso é bom sempre andar com umas moedas de 2 ou 5 rands no bolso. Isso é bom também para evitar incomodações com pedintes. Houve um caso em que um cara veio me pedir esmolas, eu logo puxei uma moeda do bolso e entreguei, sem dar muita atenção, e ele agradeceu e saiu. Quanto mais rápido, menos incomodação.

O comércio costuma fechar muito cedo, entre 17h e 18h, mesmo em grandes shoppings. Alguns poucos possuem horário diferenciado, com lojas funcionando até as 21h. Nas compras, é possível obter de volta o valor correspondente ao VAT, importo de valor agregado, através do Tax Refund, que conhecemos geralmente por Tax Free. A taxa é de 14% sobre o valor do produto e não vale para bens de consumo, ou seja, alimentos, combustível e serviços. Pra obter o reembolso do valor é preciso ir até uma loja do Tax Refund localizada nos principais aeroportos do país, antes de voltar para o Brasil. Leve consigo todos os bens comprados, ou a maioria deles, pois é obrigatório a apresentação dos itens. A inspeção é questão de sorte, varia conforme a atendente. A minha pediu para ver, eu mostrei uma sacola e ela não fez questão de ver o que havia dentro. Presenciei um caso ao meu lado onde a pessoa teve que mostrar item por item de cada nota fiscal. O reembolso se dá em dinheiro, se for uma quantia pequena, ou através de um cartão de débito VISA, caso seja um valor alto. Mais a frente farei um post com mais detalhes do Tax Refund.

O país possui onze idiomas oficiais, entre eles o africanêr (ou afrikaans), o inglês, o xhosa e o zulu. No geral o inglês é o mais visível, seja em placas de sinalização, cardápios ou lojas. Nas grandes cidades e regiões turísticas, praticamente falam o inglês. É comum você conversar com um africano em inglês e ele se comunicar com algum colega numa língua nativa.

Mas nem tudo são flores. A África do Sul possui muita pobreza e violência. Esse era um dos meus medos antes da viagem, pois havia lido alguns relatos sobre a falta de segurança em determinados lugares. Eu não passei por nenhuma situação de perigo, mas me senti inseguro em algumas ocasiões. O centro de Joanesburgo é extremamente perigoso, por isso não é aconselhável andar a pé e sem um guia na região. É uma região devastada, com muitos prédios abandonados, e dominada pela pobreza e violência. Meu passeio pelo centro foi inteiramente dentro do carro, só saí em um local determinado pelo guia onde ele me garantiu que era seguro. Já na Cidade do Cabo foi possível andar pelo centro da cidade, mas ainda assim com um certo receio. Durante o dia parece que não há problemas, mas a noite a cidade pode se tornar um pouco perigosa. Ao longo das rodovias, nos entornos das grandes cidades, há diversas favelas grandes e pobres, que eles chamam de townships. É bom evitar ao máximo passar por uma delas.

Pôr-do-sol africano

 

Joanesburgo

Conhecida localmente como Johannesburg, Jo’burg ou Jozi, a cidade não é a capital do país, ao contrário do que muita gente pensa. A África do Sul possui três capitais: Pretória é a capital administrativa, Bloemfontein a capital judiciária e Cidade do Cabo a capital legislativa. Jo’burg é a capital da província de Gauteng, possui pouco mais de 5 milhões de habitantes, sendo a maior e mais populosa do país e é a quarta maior do continente africano em população. Foi fundada em 1886 com a descoberta do ouro na região e está a 1753 metros acima do nível do mar. No verão a temperatura média é de 26 °C, podendo chegar a picos excessivamente quentes. Já no inverno, a temperatura média é de 16 °C, com dias quentes e noites geladas.

Em Joanesburgo está o aeroporto mais movimentado da África, que serve como porta de entrada para o continente e também como ponto de conexão para destinos na Ásia e Oceania. A cidade sediou a abertura e o encerramento da Copa do Mundo de 2010. A copa deixou muitos legados visíveis na cidade, como hotéis novos e modernos, ampliação de estradas e do aeroporto e também a construção do Gautrain, o primeiro trem de alta velocidade do continente africano, que faz uma rápida ligação entre o aeroporto e a cidade, e também liga Jo’burg a Pretória num trajeto de pouco mais de meia hora.

O transporte público na cidade é ruim, sem metrô e com um sistema de ônibus que não abrange toda a cidade. A única boa opção é o Gautrain, que eu mencionei anteriormente e que vou falar com mais detalhes em um próximo post. As vans irregulares fazem a festa transportando o maior número de pessoas possível e estão por toda a parte. O mais aconselhável para andar pela cidade é com um carro alugado ou através de tours privados com alguma das centenas de operadoras disponíveis na cidade. Se você for andar de táxi tome cuidado para não ser enganado em relação ao preço. Tente combinar um preço fechado caso não haja taxímetro, para evitar incomodações. Fui enrolado por um taxista e paguei pelo muito caro por uma corrida rápida.

O distrito de Sandton, em Jo’burg

 

O centro da cidade, como já falei, é muito perigoso. A maioria das empresas que antes tinham suas sedes por lá estão se transferindo para distritos novos e modernos, principalmente a região de Sandton, atualmente a principal área de negócios da cidade. Já na área de lazer e compras, destacam-se os bairros de Melrose e Rosebank.  A região metropolitana de Jo’burg conta com muitas indústrias, principalmente automobilísticas e de extração de minérios, que ajudam a poluir o ar da cidade.

Entre as principais atrações da cidade estão o Museu do Apartheid, o parque de diversões Gold Reef City, o Zoológico e a favela de Soweto. Os arredores de Jo’burg possuem muitas outras atrações, como o The Lion Park, as cavernas de Sterkfontein, tidas como o berço da humanidade, o reserva ecológica Pilanesberg Game Reserve, onde é possível fazer um safári, o complexo de hotéis de luxo Sun City, além de várias outras atrações.

Safári em Pilanesberg Game Reserve

 

Filhote de leão no The Lion Park

 



Cidade do Cabo

Cape Town, como é mundialmente conhecida, é a capital legislativa da África do Sul e também a capital da província de Western Cape. Possui uma população de aproximadamente 3,5 milhões de habitantes. O turismo é seu ponto forte, por isso atualmente é a cidade mais visitada do continente africano. É também um grande pólo comercial e industrial e possui o maior porto do país. Foi fundada em 1652 pelos holandeses que a utilizavam como ponto de abastecimento no meio do caminho para as Índias e o Extremo Oriente.

A região da Cidade do Cabo possui uma geografia muito rica e diversificada, com belas praias, montanhas, pastos e um região produtora de vinhos muito desenvolvida. As estações do ano são bem definidas, num clima parecido com o sul do Brasil. Os verões são amenos, com temperatura média na casa dos 22 °C, enquanto os invernos são gelados, com média de 12 °C. A cidade sofre muito com a ação de ventos durante o ano inteiro. Os ventos fazem com que a navegação no entorno da Península do Cabo seja uma das regiões mais perigosas do mundo.

Anoitece em Cape Town

 

A cidade também foi uma das sedes da Copa do Mundo de 2010. Seu estádio em Green Point sediou oito jogos, incluindo a semi-final, e é uma obra prima maravilhosa, encaixando-se perfeitamente no cenário da cidade. A copa também deixou bons legados para a região, com a ampliação do aeroporto, restauração e construção de novas rodovias, modernização dos hotéis e também das atrações turísticas. A cidade fez tanto sucesso durante a Copa que o governo sul-africano pretende indicar a cidade como candidata a uma futura olimpíada, a exemplo do Rio de Janeiro.

O transporte público na Cidade do Cabo é composto de ônibus e trens intermunicipais. A cidade não conta com um metrô. Para os turistas, a melhor opção é alugar um carro ou então utilizar o ônibus City Sightseeing Cape Town, que possui duas rotas diferentes abrangendo todas as principais atrações turísticas da região, exceto Cape Point, que está bem afastado do centro da cidade.

V&A Waterfront e Table Mountain

 

O centro de Cape Town é pequeno e está nos pés da Table Mountain, o principal cartão postal da cidade. Essa região conta com vários museus e hotéis, e também uma grande área de compras nos entornos de Long Street. O V&A Waterfront é a atração mais visitada da cidade, um misto de zona portuária, com restaurantes, compras e entretenimento.

A península do cabo conta com dezenas de praias, e fica difícil dizer qual delas é mais bela. Na área central destacam-se Camps Bay e Clifton Beach. As montanhas estão por toda a parte, compondo paisagens maravilhosas, principalmente em Cape Point, onde está o famoso Cabo da Boa Esperança. Outro destaque da região são as vinícolas, em especial o distrito de Constantia e a cidade de Stellenbosch, que possuem centenas de vinícolas que exportam seus vinhos para o mundo inteiro.

Praia em Cape Point

 

Vinhedos de Stellenbosch

 

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