Os dias 22 e 23 de julho de 2013 vão ficar marcados na história de Santa Catarina. Nunca se teve registro de tanta ocorrência de neve no estado. Ela caiu em pelo menos 85 municípios, incluindo regiões que não viam a neve há décadas. Todas as previsões já indicavam que ela iria acontecer em grande volume por causa de uma forte massa de ar polar que avançou sobre o Sul do Brasil. E foi por causa dessa certeza que resolvi subir a Serra Catarinense, na tentativa de ver a neve ao vivo pela primeira vez. Veja neste post como foi a saga em busca dos flocos de neve.

Neve em São Joaquim - Serra Catarinense

Neve em São Joaquim – Serra Catarinense

 

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Há dias eu vinha acompanhando sites de previsões meteorológicas, principalmente o ótimo MetSul, que indicavam uma grande chance de neve em Santa Catarina. Uma massa de ar polar intensa como há muito tempo não se via, combinada com outros fatores como ventos fortes e áreas de baixa pressão, avançou sobre o sul do nosso continente, trazendo muito frio e nevascas para a Argentina, o Uruguai, o Brasil e outros países.

Os sites afirmavam que a neve estava chegando e só conseguiram afirmar com certeza os dias, períodos e locais em que ela poderia ocorrer bem em cima da hora. As previsões indicavam que a neve iria cair entre as primeiras horas de segunda (dia 23/07) e a manhã de terça (24/07). Resolvi subir para a Serra em cima da hora e todos os hotéis da região já estavam lotados. Por sorte consegui uma vaga na Pousada Trinca Ferro, que será assunto de um próximo post, por causa de uma desistência.

Na segunda-feira pegamos a estrada cedo, subindo a BR-282 em direção ao município de Urubici, onde está localizada a pousada. Os primeiros flocos de neve já estavam caindo em São Joaquim desde às 4 horas da madrugada e foram noticiados nos jornais da manhã. Muita gente que não conseguiu reservar hotel decidiu fazer um bate-volta e a estrada rumo à Serra estava muito movimentada.

Rodovia BR-282 - Caminho par a Serra Catarinense

BR-282 – Caminho par a Serra Catarinense

 

Chegamos na pousada em Urubici às 10:00h e a temperatura estava em torno de 5 graus. Fomos informados que a neve estava caindo com força em São Joaquim, localizada a 60 km de Urubici, então logo pegamos a rodovia SC-430 rumo à cidade da neve.

São Joaquim é uma das cidades mais frias do país e está localizada a 1.360 metros de altitude, enquanto o centro de Urubici está 900 metros acima do nível do mar. Quanto maior a altitude, maior a chance de ocorrer neve. A rodovia que liga as duas cidades passa por uma localidade chamada Vacas Gordas, que pertente ao município de Urubici e está no alto de uma serra, cuja altitude é de 1475 metros, ou seja, mais alta que São Joaquim. Foi lá que tivemos o nosso primeiro contato com a neve.

Conforme íamos nos distanciando do centro de Urubici, rumo a São Joaquim, a estrada foi subindo, a temperatura caindo e a chuva aumentando. O termômetro do carro marcava 0 ºC (zero grau) e a altitude indicada no GPS não parava de subir. A água da chuva, em temperaturas baixas e altitudes elevadas, tende a se transformar em flocos de neve. Dito e feito… pouco a pouco os flocos foram surgindo.

Neve em Urubici - Serra Catarinense

Neve começando

Neve na Rodovia SC-430 entre Urubici e São Joaquim

Rodovia SC-430

Neve em Vacas Gordas - Urubici / Santa Catarina

Neve aumentando

 

Quando atingimos a altitude de 1475m a neve atingiu sua intensidade máxima e começou a cair com grande intensidade, por isso resolvemos parar o carro para registrar esse momento.

Neve em Vacas Gordas - Urubici

Neve em Vacas Gordas – Urubici (1475m de altitude)

Neve em Vacas Gordas - Urubici (1475m de altitude)

Neve em Urubici (1475m de altitude)

Neve entre Urubici e São Joaquim (1475m de altitude)

Neve intensa entre Urubici e São Joaquim (1475m de altitude)

 

Na ansiedade de ver uma maior quantidade de neve, ficamos pouco tempo parados neste local e logo pegamos a estrada para ver a neve que estaria caindo em maior intensidade em São Joaquim. Mas este foi o grande erro da viagem. Esta foto acima mostra o momento de maior neve que presenciamos nesta viagem à Serra. Se soubéssemos que já não nevava mais em São Joaquim, teríamos ficado ali até a neve parar.

Poucos quilômetros após deixarmos a localidade de Vacas Gordas a neve parou e o tempo começou a melhorar. Ao longo do caminho até São Joaquim, apenas vestígios por todos os cantos de que a neve tinha acabado de passar por ali. A presença de carros parados no acostamento indicavam cenários cheios de neve e até o telhado de um ponto de ônibus coberto de neve virou atração turística.

Neve em São Joaquim - Serra Catarinense

Neve em São Joaquim

Neve em São Joaquim - Santa Catarina

Neve em São Joaquim – Serra Catarinense

Neve em São Joaquim - Santa Catarina

Neve em São Joaquim – Serra Catarinense

Neve em São Joaquim - Santa Catarina

Neve em São Joaquim – Serra Catarinense

 

Quando chegamos em São Joaquim já não nevava mais. Tinha um pouco sol e fazia em torno de 7 graus. As ruas e avenidas estavam congestionadas, os restaurantes lotados e os turistas estavam perambulando por todos os cantos da cidade. Almocei no restaurante  Pequeno Bosque, que eu já conhecia de uma viagem anterior e que está indicado no post “Onde comer em São Joaquim e Bom Jardim da Serra“. Depois andei pela praça da cidade e voltei para Urubici, lamentando não ter encontrado mais neve.

Eu visitei São Joaquim no ano passado e não gostei, não há  praticamente nenhum atrativo turístico interessante na cidade além da neve, que raramente ocorre. Por isso quando não há neve, há pouco o que se ver em São Joaquim e eu acho isso frustrante para um turista que chega cheio de expectativas. Minha opinião sobre a cidade pode ser lida no post “Um dia em São Joaquim, a cidade mais fria do Brasil“.

Bolinho de pinhão no restaurante Pequeno Bosque - São Joaquim

Bolinho de pinhão no restaurante Pequeno Bosque

Igreja Matriz de São Joaquim

Igreja Matriz de São Joaquim

Praça João Ribeiro - São Joaquim

Praça João Ribeiro – São Joaquim

Relógio que marca a temperatura pifado!

Relógio que marca a temperatura pifado!

 

Na volta para Urubici não havia mais neve, apenas muita vegetação congelada.

Vegetação congelada em Urubici

Vegetação congelada

 

À noite ainda havia previsão de nevar então voltamos ao local onde havíamos presenciado a neve com grande intensidade, a localidade de Vacas Gordas, na parte alta de Urubici. Muita gente teve a mesma ideia e o movimento estava intenso. Até nevou, mas de forma muito fraca, com poucos flocos.

Turistas esperando a neve em Urubici

Turistas esperando a neve em Urubici

Flocos de neve em Urubici

Flocos de neve às 21:00h

 

A previsão de neve persistia até o início da manhã de terça-feira (dia 23), então acordamos cedo e novamente partimos em direção à Vacas Gordas. Às 7:00h da manhã o relógio do centro da cidade de Urubici estava marcando – 3º C (três graus negativos). Alguns minutos depois, já a 1565 metros de altitude, o termômetro marcava – 4ºC, porém o vento intenso fazia a sensação térmica ser de pelo menos dez graus negativos. Mesmo tão cedo, muita gente já estava no local esperando a neve, que não apareceu mais. Pelo menos ainda estava tudo coberto de gelo, para a alegria de muitos.

Termômetro no centro de Urubici

Temperatura às 7:00h no centro de Urubici

Vacas Gordas às 7:20h

Vacas Gordas às 7:20h

Turistas curtindo o frio intenso

Turistas curtindo o frio intenso

Vegetação e arames congelados

Vegetação e arames congelados

 

Com o amanhecer de terça-feira, o tempo abriu, o sol apareceu e as chances de neve se esgotaram, mesmo com a temperatura na faixa de zero grau. Antes de voltar para Floripa ainda visitamos a cidade de Urupema, entitulada a cidade mais fria do Brasil, mesmo sabendo que não encontraríamos neve. Lá visitamos o Morro das Antenas e a cachoeira de congela, num frio intenso com sensação térmica na faixa de 10 graus negativos. O próximo post será sobre esta aventura.

Morro das Antenas - Urupema / Santa Catarina

Morro das Antenas – Urupema

 

Na volta para Floripa, dirigindo pela BR-282, é que tivemos noção do quanto nevou na região. Foi possível encontrar muita neve acumulada nas pedras e na vegetação ao longo do caminho. Vários motoristas estavam parando seus carros no acostamento para aproveitar a grande quantidade de neve que ainda havia no local.

Neve em Rancho Queimado - Rodovia BR-282

Neve em Rancho Queimado – Rodovia BR-282

Neve em Rancho Queimado - Rodovia BR-282

Neve em Rancho Queimado – Rodovia BR-282

 

De acordo com dados do jornal Diário Catarinense e da Epagri/Ciram, nevou em pelo menos 85 municípios de Santa Catarina, em quase todas as regiões do estado, como no Oeste, no Planalto Norte, na Serra e inclusive na região da Grande Florianópolis, que há muito tempo não registrava a ocorrência de neve. Municípios como Rancho Queimado e Alfredo Wagner, localizados a apenas 70 km de Florianópolis, registraram uma grande quantidade de neve na noite de segunda-feira.

Até Floripa amanheceu com uma paisagem diferente hoje. O Morro do Cambirela, localizado na Serra do Tabuleiro (município de Palhoça), a 20 km de Florianópolis e que pode ser visto de várias partes da capital, amanheceu com o seu topo coberto de neve, uma cena que não acontecia há 29 anos. Recebi algumas fotos por e-mail e compartilho aqui no blog. A primeira é de autoria de André Gonçalves Martins. As outras duas não sei quem é o autor, caso alguém saiba favor me informar, para que eu possa dar os devidos créditos.

Morro do Cambirela visto de Floripa - bairro Coqueiros (autor: André Gonçalves Martins)

Morro do Cambirela visto de Floripa – bairro Coqueiros (autor: André Gonçalves Martins)

Morro do Cambirela visto do Centro de Floripa (autor desconhecido)

Morro do Cambirela visto do Centro de Floripa (autor desconhecido)

Morro do Cambirela visto do Centro de Floripa (autor desconhecido)

Morro do Cambirela visto do Centro de Floripa (autor desconhecido)

 

Aos turistas que sonham em ver a neve no Brasil, vale um aviso: ela é um fenômeno raro que acontece pouquíssimas vezes no ano. Não venha para a Serra Catarinense achando que vai encontrar neve com facilidade, pois não é bem assim. Recomendo acompanhar as previsões de três sites especializados em previsões meteorológicas: o MetSul, o ClimaTerra e o blog do meteorologista Leandro Puchalski. Foi através deles que acompanhei todas as previsões que indicavam a neve que ocorreu. Os perfis do Twitter desses três sites (@metsul, @climaterra e @leandropuchalski) também foram muito úteis, pois informaram em tempo real onde a neve estava ocorrendo.

 

Você tem fotos da neve que ocorreu em Santa Cantarina?
Envie-as para o e-mail [email protected] e faça parte da nossa galeria que será publicada no Facebook em breve. Não esqueça de informar o seu nome e o local em que a foto foi tirada.

 

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