Colonia del Sacramento foi fundada em 1680 por Portugal e era um importante centro comercial e militar. É a única cidade uruguaia colonizada por portugueses, por isso possui um estilo diferente de todas as outras. Passear pelo seu centro histórico é como fazer uma viagem ao passado, já que as ruas e casas foram preservadas para manter seu aspecto original. Neste post vou mostrar como foi meu passeio pela cidade, numa viagem bate-volta a partir de Montevidéu.
| Portón de Campo – Colonia del Sacramento |
A cidade está localizada a cerca de 180 km de Montevidéu, numa viagem de pouco mais de duas horas. O caminho é pela Ruta 1 e há dois pedágios em cada sentido, que custam 50 pesos uruguaios (aprox. R$5,00) cada. A rodovia é muito boa, duplicada na maior parte do trecho, mas é um pouco cansativa e monótona, pois o trajeto é praticamente em linha reta o tempo todo e com paisagens rurais que nunca mudam. Chegando próximo à Colonia a via torna-se de mão dupla e na entrada da cidade há várias palmeiras enfeitando o acostamento. A estrada termina no terminal de ônibus e barcos, próximo ao centro histórico.
Eu optei por alugar carro e fazer uma viagem bate-volta, pois fiquei poucos dias em Montevidéu. Fui bem cedo e voltei logo depois do almoço, a tempo de pegar o tour das 16h na Bodega Bouza (veja o post “Montevidéu – Visita Guiada e Degustação de Vinhos na Bodega Bouza“). Fiquei poucas horas e achei o suficiente para conhecer a parte histórica. Há quem prefira passar um dia inteiro em Colonia, pernoitando lá. Vai do interesse e da disponibilidade de tempo de cada um.
Colonia é a cidade uruguaia mais próxima de Buenos Aires e há várias ligações diárias entre as duas cidades através do Buquebus, uma grande balsa que faz o transporte de pessoas e veículos pelo Rio de la Plata. Por isso, quem fica muitos dias na capital argentina pode aproveitar para fazer este passeio, visitando a cidade uruguaia em um dia, numa viagem bate-volta de barco.
| Ruta 1 a caminho de Colonia |
| Pedágio |
| Chegando em Colonia |
O ponto de partida do nosso passeio pela parte histórica de Colonia del Sacramento foi a Plaza Mayor, onde deixamos o carro estacionado. Esta era a principal praça da antiga colônia e fui construída assim que a cidade foi fundada. Ao seu redor há vários estabelecimentos, como restaurantes, museus, casa de câmbio e hotel.
Para conhecer a região, não há um roteiro bem definido a seguir. O bacana é caminhar sem rumo, pelas ruas antigas de pedras, observando os casarões históricos e as ruínas da cidade. O ponto de partida pode ser o Portón de Campo, porta de entrada da antiga cidade, construído entre 1968 e 1971 e que ainda conserva restos da antiga muralha que existia em Colonia. Junto ao portão há um centro de informações turísticas, bom para pegar um mapa turístico do local, que apresenta a localização e explicações breves de cada atração.
| Plaza Mayor |
| Informações turísticas |
| Portón de Campo |
| Canhão na antiga muralha |
Chegamos em Colonia em cedo, por volta das 9h horas da manhã e a cidade antiga estava praticamente deserta. O tempo estava aberto, mas com um vento forte e muito frio. A maioria dos estabelecimentos abriram perto das 11h e os turistas começaram a chegar em maior quantidade, com vans e ônibus, a partir do meio-dia.
Uma das primeiras ruas que surgiram na nossa caminhada foi a Calle de los Suspiros, a rua mais antiga de Colonia del Sacramento. Tem um estilo tipicamente português e ainda conserva as pedras de seu pavimento original. As casas antigas pertencem à época do primeiro período colonial. A rua é fechada para carros, mas os pedestres podem circular à vontade por ela.
| Calle de los Suspiros |
Colonia foi fundada em janeiro de 1680 pelo português Manoel Lobo. Em agosto do mesmo ano, a cidade foi tomada pelos espanhóis. Esta foi a primeira de sete trocas do poder, em que os portugueses e espanhóis se alternavam no comando da cidade, até que em 1778, finalmente, ela passou a se tornar da Espanha em definitivo.
Em 1995, a cidade de Colonia del Sacramento recebeu o título de Patrimônio Cultural e Natural Mundial pela UNESCO. Quem visita a cidade tem a impressão de que ela parou no tempo, pois as ruas de pedra e os casarões ainda preservam o aspecto original. A maioria das casas tem portas e janelas fechadas e não dá para saber se alguém mora ali ou se elas ficam o tempo todo assim trancadas.
Dizem que Colonia lembra a cidade de Paraty, no Rio de Janeiro, mas eu nunca estive lá, então prefiro dizer que ela lembra um pouco o estilo do distrito histórico de Santo Antônio de Lisboa, aqui em Florianópolis, que também possui ruas de pedra e casas antigas de estilo português, já que a capital catarinense teve uma colonização açoriana.
Uma das paradas durante a caminhada foi no farol da cidade, finalizado em 1857, que está junto às ruínas do Convento de San Francisco, nos arredores da Plaza Mayor. É possível subir nele, pagando apenas 15 pesos urugiaos (R$1,50). Lá do alto é possível observar todo o centro histórico de Colonia e também a movimentação dos barcos no rio.
Antigamente, Colonia era considerada uma espécie de chave para os rios, pois com sua localização estratégica era possível controlar o acesso das embarcações aos rios Uruguai, Paraná e Paraguai. Desde que o navegador espanhol Solís navegou por esses mares em 1516, vários espanhóis, portugueses, ingleses e holandeses visitaram a região com suas embarcações.
| Farol |
| Escada do farol |
| Vista do farol |
| Buquebus chegando em Colonia |
Depois caminhamos algumas quadras para uma área mais nova, onde as ruas são mais largas e as construções mais recentes, passando pela Avenida General Flores, a principal avenida do bairro, pelo Muelle 1866, de onde é possível ver toda a orla de Colonia, e pela Basílica del Santissimo Sacramento, uma igreja antiga que foi restaurada.
| Av. Gral Flores |
| Muelle 1866 |
| Basílica del Santíssimo Sacramento |
Há vários pequenos museus no centro histórico de Colonia, a maioria deles ao redor da Plaza Mayor. O Museo Portugués exibe réplicas de móveis e uniformes utilizados pelos portugueses. O Museo Municipal tem um acervo com objetos, artefatos e documentos de diferentes períodos da colônia. O Museo do del Azulejo mostra diferentes tipos de azulejos de países como Portugal, Espanha e França, além dos primeiros utilizados no Uruguai. E o Museo Naval conta a história dos conflitos marítimos que fizeram parte da história da cidade.
| Museo del Azulejo |
| Mapa da cidade em azulejo |
| Museo Municipal |
| Museo Naval |
| Museo Portugués |
A visita à Colonia foi um passeio agradável e interessante. Para quem viaja a Montevidéu ou Buenos Aires, vale a pena reservar um dia para conhecê-la!
Veja no mapa a localização das principais atrações do centro histórico de Colonia del Sacramento…
Visualizar Colonia del Sacramento – Uruguai em um mapa maior
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Seus posts estão realmente de prabéns! lindos!
Obrigado!!! um abraço
Oi, Diego. Tudo bem?
Seu post foi selecionado para a #Viajosfera, do Viaje na Viagem.
Dá uma olhada em http://www.viajenaviagem.com
Até mais,
Natalie – Boia Paulista
Oi Natalie, que notícia boa. Obrigado mais uma vez. abraço!
Cara, não lemos todo o post (obviamente vamos ler), mas só pelas fotos já vale um comentário – são maravilhosas.
Passamos em Colônia em 2009 e passaremos novamente ao retornarmos da Patagonia em setembro próximo – Cidade maravilhosa!
Grande abraço!
Valério e Tetê
Obrigado pelo comentário, um abraço!
O post é ótimo. Deixo uma dica importante para comprar o ferry. Indoor é uma boa opção (http://www.indooruruguay.com/pt/home), eu comprei o ticket mas também o hotel e carro. Elos tem pagamento em Brasil com boleto bancario. Um agrande abraço.
Marcia.
Obrigado pela contribuição, Márcia. Um abraço!
Olá Diego, estou indo a Colonia em um bate e volta de carro alugado a partir de Montevidéu e minha duvida e que estou indo no dia de Natal 25/12/2012, vou encontrar alguma coisa aberta lá? Tipo restaurantes ou bares, sei que os museus estão fechados mas o centro histórico pode ser visitado normalmente? Obrigado.
Oi Adriano, não sei te informar sobre o funcionamento dos estabelecimentos, mas você vai poder passear à vontade pelo centro histórico pois é um bairro normal. Um abraço!
Uma dica muito boa é alugar um carrinho de Golf (não é daqueles simples é um meio que Off-Road), proximo ao terminal de onibus e se pode rodar quase toda a cidade com esse veículo. Não me recordo o preço, mas não é nada muito caro.
Oi Magnum, obrigado por compartilhar esta dica. Um abraço!