Na manhã do segundo dia de passeios em Santiago fui conhecer a vinícola Concha y Toro, a maior do Chile e uma das maiores produtoras de vinho do mundo. Ela é responsável pela fabricação de 12 marcas de vinho, entre elas Casillero del Diablo, Marques de Casa Concha, Sunrise, Trio e Don Melchor. Nesse post vou dar todos os detalhes da visita, falando sobre como chegar à vinícola, os tipos e preço dos tours, as degustações de vinho realizadas, curiosidades sobre a empresa e sobre os vinhos, e mostrando muitas fotos da propriedade e até um vídeo contando a lenda de um diabo que habitava uma das adegas.

Uvas na vinícola Concha y Toro
Uvas na vinícola Concha y Toro

 

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Visitar a Concha y Toro é um programa indispensável para quem vai passar alguns dias em Santiago, mesmo para pessoas que não gostam de vinho. Foi uma das atrações que eu mais gostei na cidade. Já fiz visita e degustação de vinho em outras vinícolas, mas nessa o passeio foi diferente, menos focado em aspectos técnicos da produção, abordando mais a história da vinícola e as características dos vinhos.

A vinícola está localizada na rua Virginia Subercaseaux 210, município de Pirque, que pertence à região metropolitana de Santiago, a aproximadamente uma hora do centro da cidade. Há três formas de se chegar até lá. A forma mais rápida e prática é através do metrô, onde é preciso ir até a estação Las Mercedes, a última da linha L4 – Azul, e depois percorrer um curto trajeto até a vinícola de táxi ou de ônibus Metrobus, linhas 73, 80 ou 81. (Mais informações sobre o metrô no post “Os Táxis e e Metrô de Santiago: Preços e Mapa“)

Outra maneira de se deslocar até a Concha y Toro é comprando o passeio com agências de turismo locais, como a Turistik ou a Turistour, que cobram em torno de $33.000 (aprox. R$132,00) por pessoa para um passeio que inclui o tour na vinícola e o translado de ida e volta até o hotel. Na minha opinião não vale a pena, pois o passeio acaba custando muito mais caro do que se for feito por conta própria. Para saber minha opinião sobre esse tipo de serviço, não deixe de conferir o post “Vale a pena fazer passeios em Santiago com uma empresa de turismo local?“.

A terceira opção é dirigir até a vinícola, caso você tenha alugado um carro. Essa foi a maneira que eu utilizei para chegar na Concha y Toro. Eu tive um pouco de azar porque meu GPS decidiu não funcionar durante o deslocamento e eu tive que me guiar pelas instruções retiradas do site da empresa. Mas não foi tão difícil. É só seguir sempre reto pela Vicuña Mackena, uma longa avenida que corta Santiago de norte a sul, com início na estação de metrô Baquedano, próxima ao centro da cidade. Para facilitar, essa avenida acompanha todo o traçado da linha 4 do metrô, cujos trilhos são elevados em relação à rua. A partir de certo ponto a avenida passa a se chamar Concha y Toro e depois de alguns quilômetros ela cruza o Rio Maipo e tem o seu final no cruzamento com a Virginia Subercaseaux. Virando então à esquerda já é possível avistar os portões de entrada da vinícola.

Dirigindo pela Av. Vicuña Mackena

 

Portão de entrada da Concha y Toro
Portão de entrada da Concha y Toro

 

 

No local há um grande estacionamento para os visitantes e junto à portaria está a bilheteria para a compra dos passeios. Há duas opções de tour: o tradicional Concha y Toro, que custa $8.000 CLP (R$32,00); e o completo com queijos e vinhos Marques de Casa Concha, cujo preço é de $17.000 CLP (R$68,00). A diferença entre os dois é que o passeio normal dura 1 hora e possui duas degustações de vinho, enquanto o completo tem duração de 1h30 e conta com seis degustações de vinho. Ambos iniciam juntos e percorrem o mesmo roteiro dentro da propriedade, mas no final quem optou pelo completo vai para uma outra sala onde são feitas as outras degustações, conduzidas por um sommelier.

Independente do tour desejado, é muito importante fazer uma reserva com antecedência no site oficial da vinícola para garantir um horário, pois os passeios são muito concorridos e possuem vagas limitadas. O pagamento é feito apenas no dia e no local. Quem chega sem reserva pode perder a viagem ou ter que esperar um bom tempo pelo próximo horário disponível. Eu tinha reservado o tour completo para as 11h, mas atrasei e só cheguei na vinícola as 11h50. O próximo começava as 12h30, mas já estava lotado, pois possui apenas 7 vagas. Por sorte, 3 pessoas que reservaram não apareceram e nós conseguimos realizar o passeio completo nesse horário. Mas se elas tivessem aparecido, pelo menos poderíamos fazer o tour tradicional que iniciava no mesmo horário.

Bilheteria da Concha y Toro
Bilheteria

 

Estacionamento da Concha y Toro
Estacionamento

 



As 12h30 começou o passeio e todos os visitantes, tanto do tour tradicional quanto do completo, foram reunidos e apresentados à guia. O passeio é guiado em espanhol, mas também possui alguns horários em inglês. No nosso horário, um fato curioso: todos os 25 visitantes eram brasileiros! Sendo assim, a língua falada acabou sendo o “portuñol”, já que a guia traduzia boa parte das palavras para o português.

A visita começa por um grande corredor formado por plantas. No final dele a guia dá as primeiras explicações e curiosidades sobre a Concha y Toro, como, por exemplo, que ela é a segunda maior vinícola do mundo, exporta para mais de 100 países em todos os continentes, produz 12 marcas de vinho e possui dezenas de vinhedos espalhados por seis regiões do Chile, além de duas unidades no exterior, uma na cidade de Mendoza (Argentina) e outra no estado da Califórnia (Estados Unidos).

Em seguida somos levados até a frente de um grande casarão amarelo, que antigamente era a propriedade da família de Don Melchor de Santiago Concha y Toro, que fundou a vinícola em 1883 e dá nome ao produto top de linha da Concha y Toro, o vinho Don Melchor. Atualmente a companhia é administrada pelas famílias Guilisasti e Larrain e o casarão é utilizado como escritório por diversos setores da empresa, por isso seu interior não é visitado.

Os jardins da propriedade são uma atração à parte, um verdadeiro jardim botânico, com amostras de plantas e árvores de diversas regiões do mundo, incluindo até uma araucária brasileira. Há ainda um grande lago, que antigamente era utilizado como fonte de água para irrigar as plantações, e alguns animais soltos pela propriedade, como ovelhas e pequenas aves.

Início do passeio na Concha y Toro
Início do passeio

 

Corredor de plantas na vinícola Concha y Toro
Corredor de plantas

 

A guia do passeio

 

A antiga casa da família Concha y Toro
A antiga casa da família Concha y Toro

 

Jardins da vinícola Concha y Toro
Jardins da vinícola

 

Jardins da vinícola Concha y Toro

Araucária na Concha y Toro
Araucária brasileira

 

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O passeio prossegue então até um grande vinhedo, onde são dadas explicações sobre as plantações, as uvas e como fatores tipo clima, solo e região podem diferenciar a qualidade e o sabor dos vinhos. A visita se concentra na beirada do vinho, numa pequena área onde estão plantadas uma pequena amostra de todos os tipos de uva cultivadas pela vinícola não só ali naquela propriedade, mas em todas as outras regiões do Chile.

O lugar é muito lindo para tirar fotos e tivemos a sorte de ver grandes uvas que ainda não haviam sido colhidas. Entre as curiosidades, aprendemos que a uva Carmenére, que é de origem francesa, foi trazida para o Chile e se adaptou muito bem ao clima e solo da região, conseguindo produzir safras de melhor qualidade que as uvas de mesmo tipo plantadas na França e que, por isso, os vinhos chilenos Carmenére são referências mundias no que se refere à qualidade.

Além disso descobrimos também que as videiras possui um sistema de plantação vertical para aproveitar melhor a luz solar ao longo do dia e que as uvas são irrigadas num sistema de conta-gotas, para que fiquem com uma casca mais grossa e com menos suco em seu interior, a forma ideal para produzir vinhos de qualidade. É por isso elas possuem uma aparência muito diferente dos cachos das uvas que costumamos encontrar nos mercados, que tem mais suco e uma casca mais fina.

Vinhedos da vinícola Concha y Toro
Vinhedos da vinícola Concha y Toro

 

Plantação de uva Chardonnay





Em seguida acontece a primeira degustação, de um vinho branco da marca Marques de Casa Concha. Todos os visitantes recebem uma taça para prova-lo enquanto a guia o descreve, falando de características como cor, aroma e sabor.

Degustação de vinho branco - Concha y Toro
Degustação de vinho branco

 

Degustação de vinho branco - Concha y Toro
Saúde

 

O passeio tem sequência com uma visita às adegas, localizadas em grandes galpões climatizados onde estão armazenados centenas de barris, contendo todos os tipos de vinho tinto produzidos pela Concha y Toro. Uma dessas adegas é subterrânea e chamada de Casillero del Diablo, o mesmo nome de um dos vinhos mais conhecidos da vinícola, que inclusive patrocina um grande time de futebol na Inglaterra, o Manchester United.

A adega e o vinho possuem este nome por causa de uma lenda que por muito tempo assustou os moradores da região e que foi criada por Dom Melchior, o fundador da Concha y Toro. Ele armazenava nessa adega os vinhos que considerava de melhor qualidade, mas percebeu que algumas garrafas estavam sumindo da adega e que havia alguém roubando elas. Então inventou uma lenda de que um diabo habitava o local e disseminou a história por toda a comunidade, que acreditou e ficou muito assustada com a história. Desde então ninguém mais teve coragem de entrar na adega e por isso as garrafas pararam de sumir.

A lenda do Casillero del Diablo é contada de uma maneira inusitada para os visitantes, um pequeno show meio desnecessário. A guia abandona os visitantes na adega, as luzes se apagam e uma voz assustadora conta a história do local. No final todos são levados para uma pequena sala, onde, atrás de um portão, aparece a imagem do diabo protegendo as garrafas de vinho.

Adega da vinícola Concha y Toro
Adega da vinícola Concha y Toro

 

Adega da vinícola Concha y Toro

Adega da vinícola Concha y Toro

Entrada da adega Casillero del Diablo
Entrada da adega Casillero del Diablo

 

Interior de adega Casillero del Diablo
Interior de adega Casillero del Diablo

 

O famoso diabo da lenda do Casillero del Diablo
O famoso diabo da lenda do Casillero del Diablo

 

Fiz um vídeo durante a narração da lenda…

Depois da visita às adegas acontece a segunda degustação, um vinho tinto da marca Casillero del Diablo. Novamente são explicadas as caraterísticas do mundo que está sendo provado. No final, são entregues pequenas sacolas para guardar a taça, pois ela é um brinde da empresa e pode ser levada embora como lembrança.

Degustação de vinho tinto - Concha y Toro
Degustação de vinho tinto

 

Para terminar o tour, quem optou pela opção tradicional é encaminhado para uma sala onde há um telão para assistir um vídeo sobre a vinícola Concha y Toro e em seguida todos são convidados a conhecer o Wine Bar e a loja de vinhos. Quem optou pelo tour completo não assiste o vídeo e continua o passeio entrando numa sala climatizada onde acontecem as outras degustações.

Como eu tinha comprado esta opção, entrei na sala, onde um sommelier nos aguardava. A sala é pequena e a mesa tem capacidade para apenas sete pessoas, por isso o número de visitantes é limitado e é necessário fazer a reserva com antecedência. São provados quatro vinhos da marca Marques de Casa Concha, um branco e três tintos. A degustação de cada taça é intercalada com um tipo diferente de queijo, que melhor harmoniza com a bebida que está sendo degustada. A tábua de queijos também pode ser levada de brinde no final da visita.

Recomendo o tour completo apenas para quem gosta de vinhos. Se você não gosta, o tour tradicional ja é o suficiente. Mas se você aprecia bons vinhos, mesmo que não seja um expert no assunto, vai gostar do tour completo e certamente irá sair dele com um pouco mais de conhecimento, pois as explicações do sommelier são bem completas e fáceis de entender.

Sala de degustação de vinhos - Concha y Toro
Sala de degustação de vinhos

 

Degustação de queijos e vinhos do tour completo - Concha y Toro
Degustação de queijos e vinhos do tour completo

 

Sala de degustação de vinhos - Concha y Toro

Loja de vinhos - Concha y Toro
Loja de vinhos

 

Para finalizar o post, segue um mapa com a localização da vinícola Concha y Toro e indicando o trajeto a ser feito de carro partindo da região central de Santiago.

 


Visualizar Como chegar na Vinícola Concha y Toro em um mapa maior

 

Como já falei no início do post, vale muito a pena conhecer a vinícola, é um passeio bonito e interessante. Dura apenas meio período e é melhor se for feito na parte da manhã. Assim ainda sobra todo o resto do dia para passear. Neste dia eu saí de lá por volta das 14h e fui visitar a estação de esqui Valle Nevado, uma grande aventura que pode ser conferida no post “Valle Nevado Ski Resort: a maior estação de esqui da América do Sul“.

 

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Santiago – Degustação de Vinhos na Vinícola Concha y Toro

 

Veja o o relato de visitas a outras vinícolas já publicadas no blog…
São Joaquim – Degustação de Vinhos na Vinícola Villa Francioni
As principais vinícolas de Mendoza: dicas para visitação
Buenos Aires: Degustação de vinhos argentinos em Palermo Soho
Montevidéu – Visita Guiada e Degustação de Vinhos na Bodega Bouza
Cidade do Cabo – Degustação de vinhos na vinícola Groot Constantia
Cidade do Cabo – As vinícolas de Stellenbosch

 

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