O passeio do segundo dia em Johannesburg começou bem cedo, pois as atrações programadas ficavam a duas horas de viagem da cidade. As 7h30 o guia nos buscou e pegamos a estrada rumo ao safári de Pilanesberg e ao complexo de hotéis e entretenimento Sun City. Ambos ficam próximos um do outro e estão localizados a 150 km da região central de Joanesburgo. Pegamos a rodovia N1 e o guia nos perguntou se gostaríamos de passar pela cidade de Pretória, que ficava no meio do caminho, apenas para tirar umas fotos e ter uma visão geral da cidade. Aceitamos na hora, pois visitar a cidade era um dos programas que ficaram de fora do nosso roteiro por falta de tempo. O trajeto entre as duas cidades durou 45 minutos e a rodovia é muito boa, com cinco  faixas em cada sentido.

A caminho de Pretória

 

A cidade de Pretória está localizada ao norte de Joanesburgo e é a capital administrativa da África do Sul. O país ainda possui duas outras capitais: Cape Town, a capital legislativa; e Bloemfontein, a capital judicial. Em Pretória estão a sede da presidência e o parlamento sul-africano, as residências oficiais do presidente e vice-presidente e embaixadas de outros países. Com aproximadamente 2,5 milhões de habitantes, a cidade é popularmente conhecida como “a cidade dos jacarandás”, pelo fato de haver milhares de árvores desse tipo espalhadas pelas ruas e avenidas. Todas essas arvores foram levadas do Brasil para lá no século passado.

Jacarandás em Pretória

 

Fizemos duas paradas para fotos em Pretória. A primeira foi no Union Buildings, conjunto de edifícios que formam a sede do governo sul-africano e abriga o gabinete do presidente. Construídos entre 1910 e 1913, os edifícios possuem 275 metros de comprimento e possuem um formato semi-circular. Estão localizados no alto de uma colina e possuem um imenso e belo jardim em sua frente, que proporciona uma vista panorâmica de toda a cidade. Com uma grande área verde e diversos tipos de árvores e plantas, o jardim abriga um memorial em homenagem aos soldados sul-africanos que morreram durante a Primeira Guerra Mundial. A parada para fotos nos jardins do Union Buildings valeu muito a pena, pois o local é muito bonito. Mesmo tendo sido rápido, deu pra curtir um pouco do verde e do visual da cidade.

A segunda parada foi na Church Square, ou praça da igreja, localizada bem no coração da cidade. Foi a partir dela que a cidade cresceu e se desenvolveu. No centro da praça há uma estátua do ex-presidente da África do Sul, Paul Kruger, e ao seu redor quatro estátuas de soldados. Ao redor vários prédios antigos e históricos, entre eles o Palácio da Justiça, onde Nelson Mandela foi jugado e condenado à prisão. A visita à praça foi muito rápida, não chegamos a entrar nela. Apenas paramos rapidamente para bater umas fotos. Não me pareceu ser um local muito seguro. Na saída a cidade, em direção ao safari, ainda passamos pela Church Street, a maior rua da África do Sul e uma das maiores do mundo, com 26 km de extensão.

Union Buildings

 

Jardins do Union Buildings

 

A vista da cidade a partir dos jardins do Union Buildings

 

Church Square

 

 

De Pretória a Pilanesberg ainda percorremos mais de 100 km. No meio do caminho nosso guia fez um pequeno desvio para passarmos pela Hartbeespoort Dam, uma barragem de 150 metros de comprimento e 60 metros de altura. A barragem forma um grande lago e a vazão de suas comportas forma uma pequena cachoeira.

O caminho até o safári ainda passa por uma região com várias favelas na beira da estrada e dezenas de vendedores ambulantes nos cruzamentos e no meio da estrada. Também é possível avistar muitas indústrias e jazidas de extração de minérios, principalmente de platina. Fizemos uma parada num posto de gasolina para fazer um lanche, ir ao banheiro e abastecer o carro. Fazer uma parada desse tipo antes de começar o safári é muito importante, pois no interior do parque não há qualquer estrutura para alimentação ou sanitários.

Hartbeespoort Dam

 

Hartbeespoort Dam

 

O Parque Nacional de Pilanesberg, também conhecido como Pilanesberg Game Reserve, é o quarto maior parque da África do Sul e um dos principais locais para observação de animais no país. É formado por uma grande reserva natural de de 58 mil hectares e 500 km quadrados, situada sobre a cratera de um vulcão que ali existiu há 1,2 bilhões de anos. Sucessivas erupções vulcânicas deram origem a três anéis alcalinos de montanhas que rodeiam o parque e formam um ecossistema natural que abriga centenas de espécies de plantas, pássaros, mamíferos e outros tipos de animais. No “acervo” de Pilanesberg já foram catalogados mais de 50 espécies de mamíferos, 354 espécies de aves, 65 espécies de répteis, 18 espécies de anfíbios e milhares de outros pequenos bichos e animais, sem falar nos mais de 130 tipos de árvores, 68 espécies de gramíneas e uma infinidade de tipos de solo.

Entre os animais, é possível encontrar os chamados “Big Five“, termo utilizado para designar os cinco animais mais difíceis de se caçar a pé: o leão, o elefante africano, o búlafo africano, o leopardo e o rinoceronte. Entre dezenas de outros animais que habitam o local, destacam-se: hienas, girafas, zebras, hipopótamos, crocodilos, cães selvagems (wild dogs), gnus (wildebeest), búfalos, impalas, avestruzes, babuínos, macacos e também cabras-de-leque, animal conhecido localmente como springbok e que é um dos símbolos do país.

Portão “Kwa Maritane Gate”

 

Começando o safári

 

Há quatro portões de entrada para o parque de Pilanesberg. Nosso guia entrou pelo “Kwa Maritane Gate“, bem próximo à rodovia R565 e ao pequeno aeroporto de Pilanesberg. O portão de entrada é uma casinha bem simples que serve apenas como bilheteria. Lá também é possível comprar um mapa do parque por apenas 15 rands. Para fazer o safári, algumas regras devem ser obedecidas: o limite de velocidade é de 40 km/h; não se deve perturbar os animais de jeito nenhum, muito menos alimentá-los; não jogar lixo para fora do carro nem cigarros ou fósforos, para evitar incêndios; e só é possível sair do veículo em poucas áreas permitidas e devidamente protegidas.

O passeio é feito em veículo próprio. As vias são na maioria estradas de chão, com algumas poucas asfaltadas. O mais aconselhável é andar bem devagar, para poder procurar os animais com calma e também para evitar assustá-los. No dia que fomos o parque estava bem vazio, não cruzamos com muitos veículos. É comum os veículos sinalizarem com o pisca-alerta quando há algum bicho por perto e muitas vezes eles chegam a parar o veículo para dar informações sobre a localização dos animais.

Antes de iniciarmos a busca por animais nosso guia nos falou que o safári pode ser como uma loteria, há dias em que se tem a sorte de encontrar muitos animais e há dias de azar onde poucos são avistados. Acho o nosso dia foi um meio termo. Ficamos umas duas horas passeando pelo parque e foi possível encontrar em torno de cinco elefantes, duas girafas, um crocodilo e dezenas de zebras, impalas, gnus, cabras-de-leque, cães selvagens e outros animais menos conhecidos. Ainda paramos num belíssimo lago bem no centro do parque, onde foi possível sair do veículo e acessar um mirante de observação na beira do lago muito bonito.















Eu pensava que iria encontrar muito mais animais do que realmente encontramos. Não vi nenhum leão ou leopardo, por exemplo. Mas acabei vendo muitos deles no dia seguinte no Lion Park. Acredito que o horário do safári possa ter nos prejudicado. Era bem ao meio-dia, quando a temperatura estava muito alta. Acho que nesse horário os bichos procuram abrigo para fugir do calor e poucos se arriscam passear para buscar alimentos. Acredito que o melhor horário para fazer um safári é logo de manhã cedo, nos primeiros raios de sol, quando a temperatura está bem agradável e os bichos vão à caça de alimentos ou água.

Mesmo encontrando menos animais que o esperado, a visita a Pilanesberg Game Reserve foi uma experiência extremamente interessante e agradável. As paisagens são incríveis e avisar os animais em seu habitat natural é uma oportunidade única! Recomendo muito esse passeio para quem vai visitar a cidade de Joanesburgo e, como eu, não incluiu a região do Kruger Park (o melhor safári do país) no roteiro da viagem pela África do Sul.

Pilanesberg National Park
Entrada: 65 rands por adulto, mais 20 rands por veículo pequeno.
Horários: De novembro a fevereiro, das 5h30 às 19h00. Março e abril, das 6h00 às 18h30. De maio a agosto, das 6h30 às 18h00. Setembro e outubro, das 6h00 às 18h30.












Depois do safári fomos visitar Sun City, um resort que abriga quatro hotéis de luxo e uma grande zona de entretenimento e esportes, que está localizado bem ao lado do Parque Nacional de Pilanesberg e próximo à cidade de Rustenburg. O acesso ao interior dos hotéis é apenas para hóspedes ou para quem tem reserva marcada em algum dos vários restaurantes existentes no local. Mas quem visita o complexo pode se divertir a vontade no centro de entretenimento, que conta com um grande casino, área para jogos infantis, praça de alimentação, lojas, cafés, cinemas e também uma área destinada a shows e eventos.

Uma das áreas que mais chamam atenção é “The Lost City”, ou A Cidade Perdida, um grande parque aquático com tobogãs e uma praia artificial com ondas, e que está junto ao hotel “Palace of the Lost City”, o mais luxuoso dos quatro hotéis existentes em Sun City. O complexo ainda conta com atividades como passeios de balão e para-pente, safáris, observação de pássaros, campo de golfe profissional, aquários e cachoeiras.

Conhecer Sun City serviu só para matar a curiosidade. Fomos lá porque ficava bem ao lado do safári. O bom mesmo é ficar hospedado em um dos hotéis e aproveitar tudo que a estadia oferece em termos de conforto e lazer. É uma opção para quem tem tempo e dinheiro!

Chegando em Sun City

 

Entrada do hotel “Palace of the Lost City”

 

Entrada do hotel “Palace of the Lost City”

 

Casino no Enterteinment Centre

 

“The Lost City”

 

“The Lost City”

 

Praia artificial em “The Lost City”

 

E no caminho de volta para Joanesburgo, mais um belo por do sol africano…


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